Painel 1 - Do início ao legado: a jornada de nossa história

 

A história da Odontologia em São Paulo começou com a Escola Livre de Pharmacia de São Paulo, aprovada em 1898 e inaugurada em 1899. Em 7 de dezembro de 1900, a Congregação da Escola aprovou a criação de uma Cadeira de Prótese Dentária, estabelecendo o Curso de Arte Dentária. O 1º Curso de Odontologia começou a funcionar em 1902, sendo formalmente proposto em 1901 como um Curso de Odontologia Autônomo.
Inicialmente com duração de dois anos, o curso teve sua duração ampliada para quatro anos a partir de 1919. No entanto, entre 1920 e 1925, a escola manteve a duração de dois anos, em meio a discussões sobre a uniformização do ensino.
A instituição mudou de sede em 1905, para o novo edifício na Rua Três Rios, nº 71. Em 1911, a Escola extinguiu o Curso de Obstetrícia e foi renomeada como “Escola de Farmácia e Odontologia de São Paulo”, tornando-se Faculdade de Farmácia e Odontologia em 1924.
O período de 1924 a 1930 foi conturbado. Em 1927, o governo federal cassou o reconhecimento oficial da Faculdade devido a diversas irregularidades, incluindo a aceitação de matrículas irregulares e falsificação de cerca de 50 diplomas. Em 1931, o Governo Federal interveio, sequestrando os bens e nomeando o Professor Benedito Montenegro como administrador. A situação foi regularizada em 1933, quando a Faculdade foi incorporada à rede estadual de ensino.
2º Painel: 1973-1992 (Desenvolvimento, Crise e Mudança para a CU)
Desenvolvimento Acadêmico e Carreira Docente
A Congregação iniciou reuniões ordinárias em fevereiro de 1973. O Curso de Pós-Graduação em nível de Mestrado de Clínicas Odontológicas (com 11 Áreas de Concentração) foi aprovado e iniciou-se em abril de 1973. O Mestrado em Ortodontia também foi credenciado, sendo seu currículo posteriormente indicado como modelo para Universidades Latino Americanas (1983).
A Faculdade buscou aprimorar a carreira docente, mas a Congregação manifestou-se contrária ao reconhecimento de títulos de Doutor obtidos em outras Faculdades, nacionais ou estrangeiras, para fins de vínculo na FOUSP (1978/1979). As vagas para Professor Assistente tiveram seu prazo de validade estendido para dois anos (1977).
Houve alterações curriculares, como a redução de créditos nas disciplinas de Dentística Restauradora, Clínica Integrada e Periodontia (1975) e a extinção da disciplina de Fisiodiagnóstico e Fisioterapia (1976), com seu conteúdo realocado em Semiologia e Clínica Integrada.
Infraestrutura e a Transferência para a Cidade Universitária (CU)
A construção da nova sede na CU enfrentou alto índice de atrasos em 1973. A Congregação realizou sua última reunião na Rua Três Rios em maio de 1982 e a primeira na CU em junho de 1982.
O principal impedimento para a conclusão das obras foi o tombamento integral do antigo edifício da Rua Três Rios pelo CONDEPHAAT em julho de 1982, inviabilizando a venda (alienação) do imóvel para financiar o término da nova sede. A Congregação, em 1984, autorizou a permuta do prédio com a Secretaria da Cultura do Estado por um valor definido em ORTNs, condicionado ao compromisso contratual do Governo Estadual de ceder recursos para a conclusão do prédio na CU. Em 1988, foi comunicada a desincorporação do Prédio da Rua Três Rios.
Questões Financeiras e Institucionais
A situação orçamentária da Faculdade foi descrita como crítica/precária pelo Diretor Antonio Adamastor Corrêa (1979), levando a necessidade de contenção de despesas.
A crise financeira motivou greves e paralisações estudantis (1980 e 1983), em protesto pelas péssimas condições de ensino e exigindo o atendimento gratuito aos pacientes, cujos custos protéticos se tornaram proibitivos devido à inflação.
Para buscar apoio financeiro e técnico-científico, a FOUSP criou a Fundação para o Desenvolvimento Técnico-Científico da Odontologia (FUNDECTO) em 1981, cujos estatutos foram aprovados em 1983. Em 1989, o terreno para a construção da FUNDECTO na Cidade Universitária foi concedido pelo Reitor.
Integração Hospitalar e Novos Centros
A FOUSP manteve atividades no Hospital Universitário (HU), onde uma área de 1900 m² havia sido reservada para a Faculdade. Contudo, a Odontologia enfrentou dificuldades de integração e a falta de prioridade por parte da estrutura do HU.
Outros marcos institucionais incluem:
• Criação do Setor de Odontologia Legal (1975).
• Criação do Centro de Implantologia (1987).
• Criação do Centro de Atendimento a Pacientes Especiais (CAPE) (1989), para tratamento de pacientes especiais, como portadores de AIDS.
• O SDO (Serviço de Documentação Odontológica) passou a integrar-se a bases de dados internacionais (LILACS/MEDLINE) em 1991.
• O Ambulatório Odontológico do HU e as instalações de Radiologia receberam o nome de Professor Arão Rumel em homenagem póstuma.
• A Sala da Congregação foi nomeada em homenagem ao Professor Benedito Montenegro (1980).

Texto: Prof. Dr. Rodney Garcia Rocha

 

 

Painel 2 - Saúde Bucal: a origem do bem-estar total

 

O período de 1934 a 1954/1955 marca a integração da antiga Faculdade de Farmácia e Odontologia na recém-criada Universidade de São Paulo (USP) e as subsequentes reformas administrativas e curriculares.
Criação e Estrutura Inicial (1934):
• A Universidade de São Paulo (USP) surgiu pelo Decreto nº 6283 de 25 de janeiro de 1934. A USP foi constituída, entre outros institutos, pela Faculdade de Direito, Faculdade de Medicina, Escola Politécnica e a Faculdade de Farmácia e Odontologia.
• O Professor Benedito Montenegro foi o responsável pela integração da Faculdade de Farmácia e Odontologia à USP.
• A organização oficial da Faculdade foi estabelecida pelo Decreto Estadual nº 6414, de 25 de abril de 1934. A administração era composta por um Diretor, o Conselho Técnico Administrativo (CTA) e a Congregação.
• Inicialmente, o curso de Odontologia era de três anos e compreendia 14 cadeiras, com a 15ª Cadeira (Cirurgia da Boca) introduzida logo em seguida.
Primeiras Nomeações e Administração:
• O Prédio da Rua Três Rios, nº 71, e suas instalações foram declarados de “UTILIDADE PÚBLICA”.
• O Professor Benedito Montenegro foi nomeado o primeiro Diretor, para o período de 25 de abril de 1934 a 30 de maio de 1935.
• As primeiras sessões da Congregação ocorreram em junho e dezembro de 1934.
• O limite aprovado para matrículas era de 50 vagas. Professores se manifestaram contra esse número, pois só existiam 40 cadeiras no Gabinete da Clínica Odontológica e os laboratórios eram insuficientes para a quantidade de aulas práticas necessárias.
• Houve rotatividade na direção: o Professor Alfredo Ramalho Bellegarde foi indicado provisoriamente em maio de 1935, e o Professor Raul de Vargas Cavalheiro tomou posse como Diretor em junho de 1935. O Professor Benedito Montenegro retornou à direção em março de 1938.
Debates Curriculares e Reformas:
• Foi discutida a obrigatoriedade do uso de VESTRES TALARES (becas) pelos professores em solenidades específicas, como posse de diretores, provas públicas e defesas de teses.
• Um projeto de “Reorganização dos Cursos dos Institutos Universitários” visava a unificação ou fusão de cadeiras comuns (como Física, Química Orgânica, etc.) entre Odontologia, Farmácia, Medicina, Veterinária e a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Este debate se estendeu até 1938 e gerou dúvidas sobre como preservar os objetivos da formação profissional. A Profa. Maria Aparecida Pourched-Campos notou que uma reforma semelhante só foi concretizada em 1968, com a Reforma do Ensino na USP.
Desenvolvimentos Posteriores (Anos 50):
• O Conselho Técnico Administrativo (CTA) sugeriu aumentar a duração do Curso de Odontologia para 4 anos.
• A Congregação aceitou um aumento no limite de vagas para 50 (Diurno) e 30 (Noturno), citando uma notória carência de profissionais competentes. Para 1952, o limite máximo foi fixado em 75 (Diurno) e 50 (Noturno).
• Houve o anseio dos professores pela atribuição do Regime de Tempo Integral.
• O Professor Arthur B. Gabel, da Universidade da Pensylvânia, foi contratado para a Cadeira de Técnica Odontológica, valorizando a Instituição, retornando aos EUA em 1953.
• Foi aprovado o novo Brasão da Faculdade, de autoria de José Wasth Rodrigues (também criador dos brasões da Cidade e do Estado de São Paulo e da USP), em 1952/1953.
Adoção dos Departamentos (1954):
• Em 1954, no contexto da reformulação do Ensino Odontológico, foi debatido o agrupamento das várias disciplinas em DEPARTAMENTOS, abandonando o modelo de CADEIRAS.
• Após longos debates, a proposta de “Organização de Departamentos constituídos por Disciplinas” resultou em um empate (12 votos a favor e 12 contrários).
• O Diretor e Presidente da Congregação, Professor Paulo de Toledo Artigas, utilizou o “voto de qualidade” para decidir a favor da organização em Departamentos.
• A nova estrutura aprovada estabeleceu 10 Departamentos. Exemplos incluem: Departamento de Anatomia (incluindo Histologia e Embriologia), Departamento de Patologia, Departamento de Prótese, e Departamento de Odontologia Legal.
• A Seriação do Curso foi detalhada, confirmando os 04 anos de duração.

Texto: Prof. Dr. Rodney Garcia Rocha

 

 

Painel 3 - O ponto de partida da excelência: a história que nos conduz

 

O período de 1945 a 1954 na Faculdade de Farmácia e Odontologia da USP foi marcado por instabilidade administrativa inicial, expansão significativa no número de vagas, a introdução de cursos noturnos e a formalização de uma nova estrutura na carreira docente.
Instabilidade Administrativa e Reitoria
Entre 1945 e 1946, não há registros de grandes discussões ou aprovações. Houve alta rotatividade na direção:
• O Professor João Sampaio Dória foi eleito Diretor em fevereiro de 1946, mas seu mandato foi curto (até setembro) devido a uma crise que levou à renúncia coletiva do Conselho Universitário.
• O Professor Cyro A. Silva foi designado Diretor em dezembro de 1946, renunciando em junho de 1947.
• O Professor Venâncio Malta Machado assumiu a direção e organizou uma nova eleição, resultando na indicação do Professor Paulo de Toledo Artigas (Curso de Farmácia) para o cargo.
• O Professor Linneu Prestes (Curso de Farmácia) foi eleito Reitor da USP para o mandato de 1947 a 1949.
• O mandato do Professor Paulo de Toledo Artigas terminou em junho de 1954, sendo substituído pelo Professor Edgard de Mello Mattos Barrozo do Amaral.
Expansão e Criação dos Cursos Noturnos
• Vagas (1947–1950): O limite de vagas para o Curso de Odontologia em 1947 era de 50. Por proposta do Professor João Moreira da Rocha, o limite máximo de vagas para a 1ª série de Odontologia foi aumentado para 80 em 1950, enquanto o Curso de Farmácia manteve 50 vagas.
• Cursos Noturnos: Em 1949, iniciaram-se os debates sobre a introdução dos Cursos Noturnos na USP, conforme dispositivo da Constituição Estadual. Em 1950, a Faculdade de Farmácia e Odontologia foi solicitada a regulamentar esses cursos. Houve discussões sobre a duração (4 ou 6 anos) e o horário (18h00 às 24h00). O limite máximo aprovado para o Curso Noturno foi de 50 vagas.
Estrutura Acadêmica e Docente
• Infraestrutura: Em 1948, foi planejado um Plano de Obras que incluía a ampliação do Prédio e a construção de um edifício de cinco andares nos fundos para a instalação de laboratórios.
• Contratação Externa: Iniciaram-se as tratativas para a contratação de um professor de universidade americana para a Cadeira de Técnica Odontológica.
• Integração Disciplinar: Professores de Odontologia (como Octavio Della Serra, Wilson da Silva Sasso e Demósthenes Orsini, de Anatomia, Histologia e Fisiologia) passaram a lecionar em Farmácia, e vice-versa (Walter Sidney Pereira Leser, de Higiene e Saúde Pública).
• Carreira Docente (1954): O cargo de Professor Adjunto foi formalmente integrado à carreira docente em 1954, constituindo um degrau entre o título de docente-livre e a obtenção da cátedra. Exigia um interstício de 05 anos após a livre-docência, com efetivo exercício de docência e pesquisa.
• Composição (1954): Ao final de 1954, a composição administrativa era liderada pelo Diretor Professor Aristóteles Orsini (F) e Vice-Diretor Professor Cervantes Jardim (O). A lista acadêmica detalha os Catedráticos, Assistentes e Contratados nas diversas cadeiras, como Anatomia (Professor Octavio Della Serra), Clínica Odontológica (Professor Cervantes Jardim e Professor Paulino Guimarães Junior), e Cirurgia e Prótese Buco-Maxilo-Facial (Professor Antonio de Souza Cunha).
• Pesquisa (1954): Anais da FFO de 1954 registram publicações do corpo docente sobre temas variados, incluindo estudos sobre anomalias musculares (Milton Picosse), síntese de proteínas (Wilson da Silva Sasso e Ney Uvo), resinas acrílicas (Palmiro Fava) e reimplantação dentária (Ibanez Andrade Silva e Antonio Césio de Pádua Lima).

Texto: Prof. Dr. Rodney Garcia Rocha

 

 

Painel 4 - Além do horizonte: impulsionando a nova era do saber

 

Principais desenvolvimentos da Faculdade de Farmácia e Odontologia (FFO) e da subsequente Faculdade de Odontologia da USP (FOUSP) entre 1955 e 1972/1973.
I. Transição e Mudanças Curriculares (1955–1957)
Após a estruturação inicial por Departamentos em 1954/1955, o foco institucional recaiu na ampliação do curso de Odontologia, de 3 para 4 anos. Essa elevação foi aprovada em setembro de 1956.
Em 1957, o Decreto Estadual nº 28.249 criou doze novas disciplinas, como Imunologia, Embriologia, Materiais Dentários, Endodontia, Periodontia e Cirurgia Oral. A seriação final do curso, agora de 4 anos, foi aprovada.
II. Estrutura, Pesquisa e Financiamento (1958–1961)
• Livre-Docência e Doutorado: Foi reconhecida oficialmente, pela primeira vez na USP, a Livre-Docência na carreira docente (Artigo 102 do Estatuto da USP). Entre 1958 e 1960, o binômio ensino-pesquisa consolidou-se, levando à constituição do Doutorado (Pós-Graduação lato sensu), que exigia um estágio mínimo de um ano e a defesa de tese.
• Infraestrutura: A Fundação Kellog’s fez uma grande doação para a 2ª Cadeira de Clínica Odontológica. Verbas federais foram liberadas para a construção da Faculdade de Farmácia e Odontologia na Cidade Universitária da USP.
• Representação Discente: A discussão sobre a Representação Discente nas Congregações (rejeitada em 1959) tornou-se obrigatória em 1960 (sem direito a voto).
III. Dissociação e Criação da FOUSP (1961–1963)
O principal marco do período foi a separação dos cursos de Farmácia e Odontologia.
• Separação: As discussões para a dissociação foram iniciadas em dezembro de 1961. A Congregação aprovou a separação, constituindo Faculdades Autônomas em 28 de fevereiro de 1962.
• Oficialização: O Decreto nº 40.346, de 07 de julho de 1963, aprovou o Estatuto da USP, listando a Faculdade de Odontologia (VI) e a Faculdade de Farmácia e Bioquímica (V) separadamente.
• Primeira Gestão e Nova Estrutura: O Professor Antonio Adamastor Corrêa foi o último diretor da FFO e o primeiro diretor da nova Faculdade de Odontologia (FOUSP). A FOUSP aprovou um novo Brasão, alterando a legenda para “IN ORE URITUR SANITAS” (A SAÚDE COMEÇA PELA BOCA). O antigo CTA (Conselho Técnico Administrativo) foi substituído pelo Conselho Departamental.
IV. Expansão Curricular e Política (1963–1967)
• Aumento de Duração: O novo Regulamento (aprovado após a separação) implicou a ampliação dos cursos: 5 anos para o Diurno e 6 anos para o Noturno.
• Desenvolvimento Docente: O Doutoramento e a Livre-Docência tornaram-se rotina para a ascensão na carreira. O corpo docente recebeu promoções.
• Ingresso e Vagas: O limite máximo de vagas variou, fixando-se geralmente em 75 (Diurno) e 40 ou 50 (Noturno). Foi adotada a filiação com o CESCEM para os exames de ingresso.
• Posição Política (1964): Em meio à conjuntura nacional, a Congregação da FOUSP votou moção de apoio e solidariedade às autoridades civis e militares.
• Representação Discente: Em 1965, foi concedido o direito a voto à Representação Discente nos órgãos colegiados (exceto em eleições para cargos de direção ou assuntos do corpo docente).
V. Reforma Universitária e Nova Estrutura (1968–1972)
A partir de 1968, a USP iniciou uma reestruturação profunda, conhecida como “Memorial Ferri”, visando a modernização e a integração.
• Organização Departamental (Reforma 1970): A nova organização departamental estabeleceu 7 Departamentos. As disciplinas básicas (Anatomia, Fisiologia, Bioquímica, etc.) foram deslocadas para Institutos Centrais (e.g., Instituto de Ciências Biomédicas, Instituto de Química), abandonando-se o Regime de Cátedras.
• Novo Currículo (1971): Em conformidade com a Lei Federal 5.540 (1968), o curso foi dividido em 3 ciclos (Pré-Profissional, Profissional Comum e Profissional Propriamente Dito). A duração para os ingressantes de 1971 no curso diurno foi fixada em 4 anos e meio (9 semestres).

Texto: Prof. Dr. Rodney Garcia Rocha

 

 

Painel 5 - Um novo capítulo começa a ser escrito

 

O período até 2000 na Faculdade de Odontologia (FO) da Universidade de São Paulo (USP) foi marcado por intensa atividade administrativa, acadêmica e, principalmente, por desafios relacionados à infraestrutura e ao financiamento, conforme detalhado nos excertos das reuniões da Congregação.
1. Estrutura Acadêmica e Pós-Graduação (1973 em diante)
A 1ª Reunião Ordinária da Congregação ocorreu em 27 de fevereiro de 1973. Um marco inicial importante foi a aprovação do Curso de Pós-Graduação em nível de Mestrado de Clínicas Odontológicas, que incluía 11 Áreas de Concentração (como Periodontia, Radiologia, Endodontia, e Semiologia) e Áreas de Domínio e Correção. Em 1973, 126 candidatos se inscreveram para as 40 vagas de Mestrado oferecidas. Posteriormente, foram credenciados os cursos de Mestrado em Ortodontia e foram recomendados pela CAPES novos Mestrados em Patologia Bucal, Clínica Integrada, Prótese Dental e Endodontia (1990).
A estrutura curricular para os Cursos Diurno e Noturno foi aprovada anualmente, com debates e pequenas alterações. No início do período, a FOUSP oferecia 83 vagas para o Diurno e 50 para o Noturno. Discussões sobre o currículo noturno em 1976 quase levaram à sua extensão para 13 semestres, mas foi mantida a estrutura de 12 semestres com ajustes.
2. Carreira Docente e Concursos
Houve um fluxo contínuo de concursos para a progressão na carreira (Doutorado, Livre-Docência, Professor Titular e Adjunto). Em 1973, houve homologações de aprovação para Doutorado de 20 Auxiliares de Ensino.
Regulamentos sobre os concursos eram frequentemente revisados. Um ponto de tensão foi o reconhecimento de títulos de Doutor obtidos em outras instituições; em 1978, a Congregação decidiu, por 12 votos contra 4, ser contrária a reconhecer tais títulos para fins de vínculo na carreira docente da FOUSP.
Em 1988, o Novo Estatuto da USP reestruturou a carreira docente para Professor Assistente Doutor, Professor Associado e Professor Titular, suprimindo o cargo de Professor Adjunto, o que gerou desagravo entre os docentes.
3. Infraestrutura e a Mudança para a Cidade Universitária (CU)
A transferência da FOUSP para a Cidade Universitária foi o tema central do período. Em 1973, já havia comunicação sobre altos índices de atrasos nas obras.
O principal obstáculo financeiro e físico foi o tombamento (listing as heritage site) do prédio da Rua Três Rios em 1982, o qual estava planejado para ser vendido para financiar a conclusão do novo campus. A Congregação aprovou a alienação (venda, troca ou doação) do prédio em 1982. Após longas negociações e a manutenção do tombamento, foi aprovada a venda do prédio em 1984 por CR$2.750.000.000,00, condicionada à cessão de recursos para a conclusão do novo prédio.
Apesar dos problemas, a mudança avançou:
• Em 1979, o prédio do Departamento de Ortodontia e Odontopediatria estava previsto para ficar pronto, e o Ambulatório Odontológico seria o primeiro a ser entregue no Hospital Universitário (HU).
• Em 1981, a Reitoria destinou CR$50.000.000,00 para a transferência.
• Em 1985, o bloco da Administração foi concluído e já estava em funcionamento.
• Em 1991, foi assinado o contrato para o término final do Prédio da FOUSP, com previsão de conclusão total em agosto de 1992.
4. Finanças e Serviços Comunitários
A Faculdade enfrentou sérios problemas econômico-financeiros. A inflação corroía as finanças, e cortes orçamentários foram impostos pela USP.
Em resposta, a FUNDECTO (Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Odontologia) foi criada em 1981/1982 e aprovada pela Congregação. A FUNDECTO foi instrumentalizada para desenvolver cursos de especialização e colaborar financeiramente com a Faculdade.
Outros serviços notáveis incluídos no período foram:
• A criação do setor de Odontologia Legal no Instituto de Medicina Legal (1975).
• A participação no Projeto Rondon no Campus Avançado de Marabá, Pará, com 45 estudantes enviados até 1973.
• A homologação do Regulamento do Centro de Estudos e Atendimento Especializado à Mal Formados, Mutilados e Portadores de Desenvolvimento Buco Maxilo Facial.
• A inauguração do CAPE (Centro de Atendimento a Pacientes Especiais) em 1989.
5. Crises e Protestos
Em 1983, a Congregação enfrentou uma crise com o corpo discente, que realizou greves e paralisações. Os alunos exigiam a renúncia do Diretor e Vice-Diretor, citando “péssimas condições de ensino” e “má administração”. As queixas incluíam a deterioração de equipamentos, a indefinição do prédio novo, e a falta de diálogo. O Diretor, Professor Dioracy Fonterrada Vieira, defendeu a administração, citando os esforços para conseguir verbas e a dificuldade causada pelo tombamento do prédio. Uma Comissão Paritária, composta por 5 professores e 5 alunos, foi proposta para analisar as divergências.
6. Direção e Homenagens
O período de 1973 a 1992 teve vários diretores e vice-diretores, incluindo o Professor Arão Rumel (Diretor até 1977, depois eleito para o Conselho Universitário e CEPE), Professor Antonio Adamastor Corrêa (Diretor a partir de 1977), Professor Dioracy Fonterrada Vieira (Diretor a partir de 1981), e Professor Miaki Issao (Diretor a partir de 1985).
Em 1979, o Ambulatório Odontológico do Hospital Universitário recebeu o nome de “Professor Arão Rumel”, após seu falecimento. Em 1980, a Sala da Congregação foi denominada “Professor Benedito Montenegro”. Em 1973, o Professor Flávio Fava de Moraes foi o primeiro latino-americano a receber o Prêmio W.J Geis Award For the Advanced of Dentistry

O surgimento da AIDS no Brasil, em 1982, gerou mudanças significativas na rotina dos consultórios odontológicos, especialmente no que diz respeito à biossegurança, dando origem ao “Centro de Atendimento à Pacientes Especiais” – CAPE, em 1989.

1981

Em dezembro de 1981, iniciou-se a transferência das atividades das disciplinas clínicas ministradas no antigo prédio da Rua Três Rios para uma única clínica, ocupando o subsolo do Hospital Universitário, com 202 consultórios completos e com equipamentos importados da Alemanha. As disciplinas de 1º e 2º anos passam a ocupar os prédios conhecidos como “Barracões”, em 1982. A construção do prédio na Av. Lineu Prestes, 2227 completou a mudança de todas instalações para a nova sede, em 1989.

Em 1982, são inaugurados os blocos de Ortodontia e Odontopediatria, além do Serviço de Documentação Odontológica, do novo Prédio da Faculdade de Odontologia, na Cidade Universitária.

1982 – Criação da Fundação da Faculdade de Odontologia, com o objetivo de dar suporte à FOUSP, contribuindo para o desenvolvimento das ciências odontológicas nas áreas de ensino, pesquisa e assistência clínica. Com a denominação de “Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Odontologia”, teve a aprovação da Congregação para adotar o nome fantasia de “FUNDECTO”.

Em 1983, são estruturados pela Fundação, os cursos de educação continuada e de especialização. Logo, em 1985, ela promoveu a 1ª Bolsa de Estudos para os alunos da graduação.

Texto: Prof. Dr. Rodney Garcia Rocha

 

 

Painel 6 - Da tradição centenária à vanguarda contínua

 

Atividades da Faculdade de Odontologia da USP entre 1993 e 2002, conforme detalhado nos excertos, enfoca as mudanças administrativas, o desenvolvimento acadêmico, a produção científica e as questões de infraestrutura.
Liderança e Administração
A Congregação de 1993 foi a última presidida pelo Professor Mendel Abramovicz. O Professor Edmir Matson foi indicado para o cargo de Diretor da FOUSP. Em 1997, o Professor José Fortunato Ferreira dos Santos assumiu a Diretoria, tendo o Professor Moacyr da Silva como Vice-Diretor.
Em relação ao corpo docente, o número mínimo de professores por Departamento foi estabelecido em 15 (com pelo menos dois Professores Titulares). Essa regra gerou discussões e propostas de fusão dos Departamentos de Materiais Dentários, Odontologia Social e Ortodontia e Odontopediatria, que não cumpriam o mínimo. Contudo, uma proposta de fusão em 1999 foi rejeitada pela Congregação. O Professor Mendel Abramovicz anunciou sua aposentadoria em 1994.
Desenvolvimento Acadêmico e Ensino
• Graduação: O Curso de Graduação teve um total de 530 alunos matriculados em 1993 (349 diurno e 230 noturno, mais 5 vagas convênio). Em 1996, foi aprovado um novo currículo que previa a continuidade das atividades clínicas e pré-clínicas nos meses de férias (julho, dezembro, janeiro e fevereiro). Em 2000, a Congregação votou pela redução do número de vagas do Curso Noturno, contrariando a sugestão da Pró-Reitoria de Graduação de aumentar de 50 para 60 vagas, devido à falta de espaço para atividades práticas. Foram criadas novas disciplinas, como “Odontologia em Saúde Coletiva” (substituindo uma disciplina da Faculdade de Saúde Pública), “Anestesiologia aplicada à Clínica Odontológica”, “Lasers em Odontologia” (optativa) e, após debates, a disciplina de Implante no Departamento de Prótese.
• Pós-Graduação (PG): Em 1994, 306 alunos participavam dos Cursos de PG. Todos os cursos foram credenciados pela CAPES. As normas de duração foram alteradas: Mestrado para 4 anos e Doutorado para 6 anos (5 anos para candidatos com título de Mestre). O Programa de Patologia Bucal recebeu notas de excelência na avaliação CAPES (nota 6 em 1998 e nota 7 em 2001). Foi instituído o Mestrado Profissional.
• Serviços e Clínicas: Em 1997, a Congregação aprovou a incorporação do Serviço de Triagem pela Disciplina de Semiologia e do Serviço de Emergência pela Disciplina de Clínica Integrada, visando a integração didática. Em 2001, foi aprovada a criação do Banco de Dentes Humanos Permanentes para solucionar o problema ético de os alunos adquirirem dentes em clínicas.
Pesquisa e Produção Científica
A FOUSP foi pioneira na realização da Semana de Pesquisa (a primeira ocorreu em 1993). A produção científica totalizou 1216 trabalhos entre 1985 e 1995, com um crescimento notável de 1993 (313 trabalhos) para 1995 (512 trabalhos).
Em 1997, a Professora Vera Cavalcanti de Araujo recebeu um voto de louvor por obter a segunda maior verba de pesquisa entre as unidades da USP, destinada ao Laboratório de Microscopia Eletrônica. Em 2002, o Professor Rafael Ballester comunicou a manutenção de 18 bolsas PIBIC/CNPq e 24 bolsas de Iniciação Científica financiadas pela FUNDECTO.
Em 2002, o Professor João Humberto Antoniazzi alertou sobre a obrigatoriedade (desde 1996) de todas as pesquisas envolvendo seres humanos serem aprovadas pelo Comitê de Ética antes do início da execução.
Infraestrutura e FUNDECTO
• Prédio Novo: A construção do Edifício das Clínicas (Blocos A e B) na Cidade Universitária estava em andamento. Em 1998, a previsão era que o prédio da Clínica estaria pronto entre setembro e novembro. Contudo, a licitação para a compra dos equipos sofreu obstruções legais e recursos judiciais sucessivos por parte de empresas licitantes (como a GNATUS), atrasando o processo.
• FUNDECTO: A Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Odontologia (FUNDECTO) patrocinou a Revista de Pós-Graduação, auxiliou financeiramente a Associação Atlética, e financiou a Escola de Prótese. Em 2001, o crescimento da FUNDECTO foi reportado em cerca de 20% e houve uma transferência de patrimônio para a FOUSP no valor de R$1.707.000,00. Em 1998, a FUNDECTO foi convidada a participar permanentemente das reuniões da Congregação.
Eventos e Homenagens
A FOUSP comemorou os 90 anos dos Cursos de Odontologia no Brasil, incluindo a inauguração do Museu de Odontologia. O Professor Flávio Fava de Moraes foi homenageado por sua indicação ao cargo de Reitor da USP. Professores foram contemplados com o Prêmio Luis Cesar “Pannain” (Dalton Luís de Paula Ramos e Normando Pinto dos Santos). A FOUSP foi contemplada com o “Prêmio USP de Direitos Humanos” em 2001. Foram concedidos títulos de Professor Emérito ao Professor Reynaldo Todescan, Professor José Hildelbrando Todescan, Professor Antonio Muench e Professor Sebastião Interlandi.

Ao comemorar seu centenário, a Faculdade de Odontologia entra em mais um período de reformas e modernização de suas instalações e seus equipos. Em 2001, a Faculdade de Odontologia juntamente com a CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) desenvolve os Cursos de Pós- Graduação Mestrado e Doutorado Interinstitucional – MINTER e DINTER. Em 2006, a Clínica Odontológica é transferida do Hospital Universitário para as dependências da FOUSP. 

Presença Internacional

A partir de 2006 a Faculdade entra em um período de intensa inserção no cenário internacional. São realizados convênios com a Universidade de Aachem, Alemanha; Universidade de Siena, Itália e Universidade de Israel, tanto para pesquisas quanto no intercâmbio de alunos e professores visitantes.

Texto: Prof. Dr. Rodney Garcia Rocha

 

 

Painel 7 - Pioneirismo em práticas de ensino

 

Excertos das reuniões da Congregação da Faculdade de Odontologia da USP (FOUSP) entre 2003 e 2012, concentra-se em quatro eixos principais: gestão administrativa e de pessoal, reformas de infraestrutura, reestruturação acadêmica (Graduação e Pós-Graduação) e o papel crucial da FUNDECTO.
1. Gestão e Infraestrutura
O período foi marcado por intensa atividade administrativa e transições na Diretoria (com a Professora Esther Goldenberg Birman como Vice-Diretora em exercício em 2003, seguida pelos Professores Ney Soares de Araujo, Carlos de Paula Eduardo e Rodney Garcia Rocha).
O desafio central foi a conclusão e modernização da Nova Clínica Odontológica. Após múltiplos processos de licitação travados judicialmente, a FUNDECTO (Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Odontologia) interveio, comprando 48 equipos (cadeiras odontológicas) completos por R$2.164.000,00, e posteriormente expandindo essa doação para um total de 180 consultórios, somados aos 12 do Centro de Especialidades Odontológicas (CEO).
Outras reformas significativas incluíram:
• A reforma do Biotério.
• A revitalização dos Laboratórios Multidisciplinares, recebendo verbas expressivas do COESF e da Pró-Reitoria de Graduação.
• Melhoria da segurança do campus, com instalação de câmeras e catracas (torniquetes), devido ao aumento de furtos e roubos.
• Criação de novos espaços como o Laboratório de Biologia Oral (LBO) e o Centro de Pesquisas Clínicas (CEPEC).
2. Reformas Acadêmicas
Houve uma reestruturação curricular abrangente para a Graduação, impulsionada pelas Diretrizes Curriculares do MEC.
• A duração do Curso Diurno foi estendida para 5 anos, e o Noturno para 6 anos, a fim de adequar-se à carga horária e facilitar os estágios vivenciais.
• Foram criadas e reformuladas diversas disciplinas, buscando uma abordagem mais integrada, como a Clínica Integrada e a introdução obrigatória de Estágios Curriculares e Práticas Profissionalizantes.
• Debates sobre Inclusão Social na USP (cotas) foram frequentes, com a USP adotando o sistema de Pontuação Acrescida para alunos de escolas públicas.
Na Pós-Graduação, o foco principal foi a reestruturação e a internacionalização:
• Criação do Programa de Ciências Odontológicas, reagrupando áreas de concentração.
• Ênfase na conformidade com os novos critérios da CAPES, resultando em reestruturações e, em alguns casos (como a extinção da Pós-Graduação em Prótese Dentária), dificuldades.
• A FOUSP se destacou em Internacionalização, firmando convênios importantes (ex: Universidade de Aachen, Alemanha; King’s College, Londres) e alcançando a primeira co-tutela de Doutorado com duplo-diploma.
3. Pesquisa e Extensão
A área de Pesquisa recebeu forte incentivo, incluindo o aumento de bolsas de Iniciação Científica (PIBIC/PIC) financiadas pela FUNDECTO, CNPq e Pró-Reitoria de Pesquisa, totalizando cerca de 100 bolsas em 2012.
A Faculdade se engajou em programas de saúde pública:
• Pró-Saúde: Um programa que visava reestruturar a Graduação para incluir uma visão social e a atuação no Sistema Único de Saúde (SUS).
• Centro de Especialidades Odontológicas (CEO): Criado em parceria com o Ministério da Saúde (Programa Brasil Sorridente) e a Prefeitura de São Paulo. Contudo, após 16 meses de atendimento, o CEO foi temporariamente suspenso em 2010 devido à falta de repasse financeiro prometido pelo município, gerando intenso debate sobre a viabilidade de convênios na saúde pública.
4. Recursos Humanos e Reconhecimento
Houve esforços para preencher cargos docentes (Professor Doutor, Livre-Docente e Titular), com a USP liberando claros em RDIDP e RTC.
Questões sobre a carreira docente, como a Progressão Horizontal para Doutores e Associados (D1 para D2, A1 para A2/A3), foram longamente discutidas e regulamentadas, definindo pesos para avaliação de títulos, atividades didáticas e pesquisa.
Vários professores foram homenageados com o título de Professor Emérito, reconhecendo suas contribuições excepcionais à Faculdade (incluindo Tadachi Tamaki, Vera Cavalcanti de Araujo, Ney Soares de Araujo, José Nicolau, e Moacyr da Silva).
Ao final de 2012, o Diretor Rodney Garcia Rocha destacou o sucesso do novo Regimento Interno, aprovado após quatro sessões de Congregação e consultas à Procuradoria Geral da USP. O período se encerrou com a FOUSP alcançando recordes em bolsas de IC e avançando em projetos de infraestrutura, consolidando sua posição.

Texto: Prof. Dr. Rodney Garcia Rocha

 

 

Painel 8 - Atravessando uma pandemia

 

Em 2020, com a pandemia da COVID-19, a Faculdade suspende as aulas presenciais e todas as modalidades de ensino. Todas as atividades são reprogramadas e realizadas virtualmente. Com a criação do grupo didático Tecnológico para estabelecer referências quanto aos princípios pedagógicos, manuseio e aplicação de ferramentas digitais .Todos os ambientes interiores sofreram adequações para a retomada das atividades.

Providências para o retorno presencial dentro da pandemia

Adequações e modificações físicas dos setores da Clínica Odontológica, com climatização apropriada nos ambientes com sistemas de exaustão e ventilação; controle dos aerossóis e modos operacionais de atendimentos, métodos de descontaminações dos equipamentos, dos aparelhos, dos materiais e do instrumental de uso odontológico, paramentação dos estudantes, professores e servidores; descarte de resíduas; construção de uma tenda externa (FOTO) para triagem dos pacientes.

Foi inaugurado em junho de 2022 a Sala de Multiusuário de Interpretação de Imagens da FOUSP, espaço idealizado para inserir o aluno de graduação no ambiente de aprendizado e investigação, usando tecnologias atuais, através da inteligência artificial de interesse da odontologia. 

Laboratório De Microscopia Substituição do sistema de microscopia convencional para digital, através de pequena readequação de infraestrutura; 8 microcomputadores; 1 switch de rede; 1 kit de cabeamento; 1 Aps wi-fi; 4 TVs de 50″; software específico e instalação; 15 cadeiras de laboratório.

Sistema De Radiografias Periapicais Digitais: Aquisição de 10 leitores digitais de placas de fósforo, 6 aparelhos de raio-x periapicais de parede, 200 placas de fósforo, 14 terminais de computadores.

Laboratório De Microtomografia – (Micro-Ct): Aquisição de um equipamento multiusuário capaz de atender as necessidades de pesquisa dessa comunidade, integrando equipes multidisciplinares que possam alavancar o impacto de

Laboratório De Simulação Odontológica Digital: Laboratório multiusuário de simulação em odontologia, com plataforma de treinamento virtual (software e equipamentos) que permitirão realizar simulações clínico-realistas em ambiente seguro, melhorando o processo de aprendizagem do estudante, desenvolvendo suas habilidades e facilitando o atendimento de pacientes na Clínica Odontológica da FOUSP.

 

 

Painel 9 - Explorar para transformar

 

 

Já em 2025, a FOUSP dá um salto tecnológico em seus laboratórios, inaugurando:

Laboratório de Microtomografia – Micro CT – Departamento de Dentística
O laboratório, que integra a plataforma de equipamentos multiusuários da USP, recebeu mais de R$ 2 milhões em investimentos e vai atender às necessidades de pesquisa relacionadas à obtenção de imagens microtomográficas, possibilitando a realização de análises de amostras biológicas e não biológicas, com tecnologia utilizada para gerar imagens detalhadas em altíssima resolução, produzir visualização 3D e realizar uma série de cálculos de área e de volume, o que otimizará a qualidade das investigações científicas em diversas áreas. O equipamento é um microtomógrafo SKYSCAN 1276 CMOS Edition, que permite capturas tomográficas não destrutivas de até 6 micrômetros de diferentes objetos e pequenos animais

Laboratório de Simulação do Centro de Recursos para Aprendizagem, Investigação e Inovação (CRAI)
O novo laboratório multiusuário de simulação em odontologia conta com equipamentos simuladores e plataforma com software de treinamento virtual, o que permite a realização de simulações clínicas altamente realistas e sensação de toque verdadeiro em ambiente seguro, sem colocar em risco os pacientes e melhorando o processo de aprendizagem do estudante, desenvolvendo suas habilidades e facilitando o atendimento de pacientes na Clínica Odontológica da FO. O equipamento utilizado é o Simodont Nissin – Simulador Virtual Háptico, cuja aquisição recebeu investimentos de cerca de R$ 2 milhões.

SOS-TEA: Sala Odontológica Sensorial para tratamento especializado do autismo
O Centro de Atendimento a Pacientes Especiais da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (Cape-FOUSP) foi fundado em 1989, em decorrência da grande demanda de pessoas com deficiências, que na odontologia costumam ser designadas como Pacientes Especiais, e da dificuldade para que elas tivessem tratamento adequado, implicando uma série de consequências para a saúde mental, já que diversas pesquisas apontam para a relação entre a saúde bucal e a atividade cerebral. Nos últimos anos, houve especificamente um aumento de pacientes do espectro autista (TEA), o que levou à criação de um ambiente clínico mais humanizado para melhorar a colaboração dos pacientes. A responsável pelo espaço, Marina Gallottini, comentou que a nova abordagem substitui uma antiga sala, agora desativada, destinada à sedação química desses pacientes que, agora, podem contar com um espaço mais alegre e acolhedor.
A Sala Sensorial foi custeada por uma parceria com a Colgate-Palmolive, que investiu quase R$ 300 mil no espaço.

 

 

Painel 10 - O conhecimento em prol da sociedade

 

A extensão universitária é o processo educativo, cultural e científico que articula o ensino e a pesquisa de forma indissociável e viabiliza a relação transformadora entre Universidade e sociedade. A pertinência pedagógica dos projetos sociais está baseada na possibilidade dos alunos de graduação da FOUSP colocarem em prática aquilo aprendido durante o curso, distribuindo-os em ações de promoção, prevenção e educação em saúde de acordo com suas competências e também com o ano de graduação em que se encontram. Além disso, a convivência com diferentes culturas e ambientes possibilita à troca de conhecimento e experiência, que não só contribui para a formação profissional, mas também para a construção de um indivíduo formador de opinião e com visão de mundo mais ampla.

No período de 2018 a 2021, foram realizados 203.584 atendimentos odontológicos, seja através do atendimento nas diversas clínicas da FOUSP, como pelos projetos sociais.

Nos últimos anos, a FOUSP mantém inúmeros projetos e programa sociais voltados à saúde bucal, tais como: Envelhecer Sorrindo (SP), Cananéia (Cananéia-SP), Bandeira Científica (cada ano em um município do país), Quilombo Ivaporunduva (Eldorado SP), Sorria Carisma (Osasco SP), Jardim Capela (SP), Favela São Remo (SP), Ribeirinha (Iguape).

Em 2020 – A pandemia

Em 2020, com a pandemia da COVID-19, a Faculdade suspende as aulas presenciais em todas as modalidades de ensino. Todas as atividades são reprogramadas e realizadas virtualmente e é criado o grupo didático tecnológico, com o objetivo de estabelecer referências quanto aos princípios pedagógicos, manuseio e aplicação de ferramentas digitais. Todos os ambientes interiores sofreram adequações para a retomada das atividades.

Providências para o retorno presencial dentro da pandemia

Adaptações e modificações físicas dos setores das diversas Clínicas Odontológicas foram realizadas, tais como: climatização apropriada nos ambientes com sistemas de exaustão e ventilação; controle dos aerossóis e modos operacionais de atendimentos, métodos de descontaminações dos equipamentos, aparelhos, materiais e do instrumental de uso odontológico, paramentação dos estudantes, professores e servidores; descarte de resíduas; construção de uma tenda externa para triagem dos pacientes.

 

 

Painel 11 - Da história centenária, a visão para a próxima era

 

Dentro do projeto pedagógico da FOUSP, que foi adequado de acordo com as diretrizes curriculares de 2021, a partir de 2024, a Faculdade recebeu uma nova matriz curricular. Esta transformou disciplinas em unidades curriculares com 3855 horas; para disciplinas eletivas de 300 horas e 840 horas para os estágios curriculares supervisionados, que representam 20% da carga didática; mais 120 horas de atividades acadêmicas complementares e 30 horas para o TCC, que totalizariam 5.145 horas de curso para o integral e noturno.

A partir de 2024, intensificou-se o desenvolvimento de infraestrutura para ensino e pesquisa:

Foram realizadas reformas da Clínica do Departamento de Prótese, do piso de todo prédio da administração e da sala multiuso de intepretação de imagens. Adequou-se o sistema de ventilação, climatização e exaustão de ar nas salas de aula e laboratórios e desenvolveu-se a modernização tecnológica das salas de aula e dos laboratórios multidisciplinares azul e laranja.  Foram construídos 48 consultórios odontológicos para a clínica odontológica.

Foi realizada a informatização dos prontuários clínicos da Clínica Odontológica e a modernização do Laboratório de microscopia, além da introdução do sistema de radiografias periapicais digitais.

Foi inaugurado o CRAI e laboratório de simulação, com a inserção de alunos de graduação e pós-graduação em ambientes de aprendizado e investigação, utilizando-se de tecnologias atuais, através da inteligência artificial de interesse da Odontologia

Centros especializados aliando ensino, pesquisa de ponta, beneficiando a população com aperfeiçoamento clínico e aplicação de tecnologias inovadoras foram modernizados para que os alunos tenham acesso ao que existe de mais moderno no ensino da odontologia mundial;

Entre esses centros, destacam-se: CAPE – Centro de Atendimento a Pacientes Especiais; CEPI – Centro de Excelência em Prótese e Implante; CADES – Trauma Adultos e Trauma Infantil; CODDO – Centro de Oclusão e dor Facial; Centro Integrado de Diagnóstico de doenças em Odontopediatria.

 

 

Painel 12 - A Universidade além da sala de aula

 

A Essência da Vivência Estudantil

A experiência universitária é, sem dúvida, uma jornada de aprendizado acadêmico, mas seu valor integral reside também no que acontece além da sala de aula. A vivência estudantil é o alicerce que transforma a faculdade de um mero local de obtenção de diplomas em um ambiente de formação humana, social e profissional completa. É nela que o estudante desenvolve habilidades cruciais: liderança, trabalho em equipe, responsabilidade social, e inteligência emocional.

Essa vivência floresce por meio de organizações e iniciativas estudantis, tais como (CA), a Atlética e a Bateria.

O Centro Acadêmico é a principal entidade de representação estudantil de um curso. Ele transcende a burocracia, atuando como uma ponte vital entre os estudantes, a coordenação e a reitoria. Defende os direitos e interesses dos alunos, lutando por melhorias. Organiza palestras, debates e eventos que complementam a grade curricular, incentivando a discussão sobre temas sociais, políticos e profissionais. Acolhimento e Integração: Promove a integração dos calouros e oferece suporte à comunidade acadêmica, facilitando o acesso a informações e recursos. Participar de um CA é exercitar a cidadania ativa e desenvolver a liderança em um contexto real.

A Atlética é a responsável por fomentar a prática esportiva e a qualidade de vida dentro da universidade. Seu papel vai muito além de organizar campeonatos. Oferecer a oportunidade de praticar esportes é essencial para equilibrar a intensa rotina de estudos, combatendo o estresse e promovendo a saúde. O esporte ensina o valor da rotina de treino, da superação de limites e da resilição diante das derrotas. Ao defender a FOUSP, a Atlética cria um forte sentimento de pertencimento e união entre os estudantes, fortalecendo o networking e o espírito de equipe.

A Bateria: Arte, Cultura e Vibração: é a manifestação cultural e artística da vivência estudantil, mas seu impacto é muito mais profundo do que apenas fazer barulho. É um espaço de aprendizado musical e de valorização da cultura do samba e do ritmo, aberto a todos, independentemente de experiência prévia. É o coração da Torcida!