| Manual de Boas Práticas CENTRAL DE MATERIAL E ESTERILIZAÇÃO (CME) | Código MBP-CME-001 | ||
| VERSÃO 1.0 | |||
| Elaborado por: | Rosemary A. Fracolli, Andréa Lusvarghi Witzel, Marília Trierveiler Martins | Data: | 01/04/2025 |
| Revisado por: | Escritório de Qualidade | Data: | 01/04/2025 |
| Aprovado por: | Escritório de Qualidade | Data: | 08/08/2025 |
| Próxima revisão: | Anualmente ou quando necessário | ||
| Assinatura: | |||
INTRODUÇÃO
A Central de Material e Esterilização (CME) da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (FOUSP) é uma unidade estratégica no cuidado com a biossegurança, sendo essencial para garantir a qualidade dos atendimentos clínicos, a segurança do paciente, a integridade dos processos de ensino e a segurança de toda a comunidade (acadêmica, docente e laboral).
Neste ambiente, são realizados com rigor técnico os processos de limpeza, preparo, esterilização, armazenamento e distribuição de materiais e instrumentais odontológicos, seguindo os mais altos padrões de segurança microbiológica e rastreabilidade. Além disso, a CME é responsável pela organização e logística dos uniformes privativos utilizados nos ambientes clínicos da FOUSP (Rouparia), contribuindo diretamente para a padronização, higiene e identidade profissional da instituição.
O processamento e esterilização dos instrumentais clínicos utilizados nas dependências da FOUSP devem acontecer na CME central ou satélite, de acordo com a RDC 15 – Art. 21. A FOUSP possui uma CME central e uma CME satélite (Manual próprio) que fica localizada no Centro de Atendimento de Pacientes Especiais (CAPE-FOUSP).
Este manual foi elaborado com o objetivo de sistematizar e padronizar os procedimentos técnicos, administrativos e operacionais adotados na CME central, assegurando conformidade com as legislações vigentes e com as diretrizes da Universidade de São Paulo. Sua utilização é fundamental para o treinamento da equipe, a orientação do corpo clínico (docentes, discentes e estagiários) e a melhoria contínua da qualidade nos serviços prestados, juntamente com a segurança no atendimento dos pacientes.
Mais do que um conjunto de instruções, este documento representa o compromisso institucional com a biossegurança, a ética no cuidado com a saúde (dos pacientes e equipe de saúde envolvida) e a excelência na formação profissional em Odontologia.
DEFINIÇÕES
Biossegurança: é o conjunto de medidas, normas e procedimentos adotados para prevenir, reduzir ou eliminar riscos biológicos, químicos, físicos, ergonômicos e de acidentes que possam comprometer a saúde humana, animal e o meio ambiente, especialmente em laboratórios, hospitais, clínicas odontológicas e indústrias farmacêuticas. Seus principais objetivos incluem a proteção dos profissionais, a prevenção da contaminação ambiental e cruzada, a segurança dos pacientes, o descarte adequado de resíduos e a minimização de riscos de acidentes e exposição a agentes infecciosos. Regulamentada por órgãos como a ANVISA, o Ministério da Saúde e diretrizes internacionais da OMS, a biossegurança é essencial para garantir práticas seguras em ambientes que envolvem manipulação de materiais potencialmente contaminantes.
Equipamentos de proteção individual (EPI): são dispositivos utilizados pelos profissionais para reduzir os riscos de exposição a agentes biológicos, físicos e químicos durante várias atividades, inclusive na Central de Material e Esterilização (CME). Seu uso correto é essencial para garantir a segurança do profissional e a qualidade dos processos realizados. Neste manual, o termo EPI refere-se a:
- Máscara: utilizada para evitar a inalação de aerossóis e partículas contaminadas;
- Luvas: protegem as mãos do contato direto com materiais contaminados e substâncias químicas utilizadas nos processos de limpeza e desinfecção;
- Gorro ou touca: previne a queda de cabelos no ambiente de trabalho, garantindo a biossegurança;
- Óculos de proteção: protege os olhos contra respingos de líquidos e partículas durante as etapas de manipulação de materiais e soluções químicas.
- Sapatos fechados
Esterilização: é um processo destinado a eliminar todos os microrganismos e é o maior nível de inativação microbiana que pode ser alcançado
Kits descartáveis: compreende um conjunto de itens estéreis organizados em pacotes de embalagem em papel grau cirúrgico, de maneira a facilitar o acesso e o uso dos materiais pelos docentes, discentes e colaboradores na clínica odontológica, para otimizar o tempo e promover a segurança do paciente, evitando infecções, possíveis contaminações e outras complicações.
Os kits são organizados da seguinte maneira:
- KIT – 1: – 2 toalhas , 1 campo fenestrado (1,40m x 1,40m), 1 protetor de mangueira, 1 campo de mesa (70cm x 90cm), 2 toucas;
- KIT- 3: – 2 aventais TNT (50g), 2 toalhas, 1 campo fenestrado ( 2,00m x 1,20m), 2 protetores de mangueira, 2 campos de mesa (70cm x 90cm), 2 toucas;
- KIT – CAPE: – 2 aventais TNT (50g), 2 toalhas, 1 campo fenestrado (70cm x 90cm), 2 protetores de mangueira, 2 campos de mesa ( 70cm x 90cm), 2 toucas.
Obs: os itens contidos nos kits, também são embalados individualmente para consumo extra.
Uniforme privativo: conjunto de vestimentas padronizadas do tipo pijama cirúrgico, de uso exclusivo nos ambientes clínicos da FOUSP. São utilizados para prevenir a contaminação cruzada e promover a biossegurança nos atendimentos clínicos e procedimentos laboratoriais.
SIGLAS E ABREVIATURAS
ANVISA Agência Nacional de Vigilância Sanitária
CME Central de Material e Esterilização
EPI Equipamento de Proteção Individual
FOUSP Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo
ISO International Organization for Standardization
OMS Organização Mundial da Saúde
RDC Resolução da Diretoria Colegiada (normas da ANVISA)
SUS Sistema Único de Saúde
- APRESENTAÇÃO DA ÁREA
A Central de Material e Esterilização (CME) desempenha um papel essencial na manutenção da segurança e qualidade nos procedimentos odontológicos, assegurando que todos os materiais utilizados estejam adequadamente processados e armazenados, sendo aqui na FOUSP caracterizada por alta criticidade.
A CME está situada no Piso Inferior da Clínica Odontológica, no Corredor de Apoio Operacional é composta pela área de Sala de lavagem e preparo de materiais (lavagem, secagem e embalagem de instrumental), Sala de esterilização (recepção, esterilização, armazenamento e dispensação) e Sala de apoio técnico (montagem dos campos cirúrgicos, recepção e entrega dos uniformes privativos).
Os materiais processados são de propriedade do discente (graduação, pós-graduação ou estagiário) que permanecem sob sua posse durante o período de seu curso, neste contexto o discente também executa o passo inicial do processamento de material que é a pré lavagem (imersão), lavagem, secagem e embalagem do material. As áreas de Processamento estão situadas em regiões da Clínica Odontológica: Clínica azul do piso superior, Clínica amarela no piso inferior e na Sala de lavagem e Preparo de Materiais em frente a Esterilização. (ver link biossegurança…video)
O principal foco de atuação da CME é a Clínica Odontológica, sendo responsável por todo o fluxo de processamento de materiais, além de oferecer suporte parcial e contribuindo para a adequada execução das atividades assistenciais e acadêmicas das unidades de Laboratório Especial de Laser em Odontologia (LELO), ao Centro de Atendimento a Pacientes Especiais (CAPE), ao CEPEC e à Clínica de Pós-Graduação.
Neste setor não se processa produtos de uso único (descartável).
- ObjetivosGarantir a esterilização eficaz de instrumentais clínicos, instrumentais cirúrgicos e kits cirúrgicos, assegurando sua adequação para uso;Promover a segurança do paciente, da equipe de saúde (docentes, discentes e estagiários) e da equipe de apoio, minimizando riscos de infecção e contaminação;Assegurar a qualidade e a confiabilidade dos processos de esterilização, armazenamento e distribuição de materiais, garantindo conformidade com as normas vigentes e boas práticas de biossegurança;Controlar o uso, a distribuição e a higienização dos uniformes clínicos ou uniforme privativo, garantindo a adequada padronização e a manutenção das condições de biossegurança.
- ResponsabilidadesEquipe:Enfermeira : Rosemary A. Fracolli – 7h – 15:12h
- Equipe de 4 colaboradores técnicos:
- Sabrina Rodrigues de Carvalho Sassaki – 7h – 13:15h
- Cleide Domingues – 7h – 16h
- Aline Yonara Bezerra – 16: 45h – 23h
- Andréia Prates – 14h – 23h
1.2.1.3. Equipe de 4 discentes:
– Arthur – 11h-17h
– Andressa Nunes – 17h-23h
– Gabriela Carretero – 17h-23h
– Giovana Mancilha – 17h – 23h
A equipe técnica da Central de Material e Esterilização é responsável por:
- Seguir os procedimentos descritos neste protocolo de forma rigorosa;
- Garantir o uso adequado dos equipamentos de proteção individual (EPIs);
- Realizar a esterilização e o armazenamento de forma segura e organizada;
- Executar manutenções preventivas e corretivas nos equipamentos utilizados;
- Garantir a rastreabilidade e registro das etapas do processo.
- Regras de utilização da área e seu horário de funcionamento
O setor é de uso exclusivo dos colaboradores cadastrados na área.
A CME funciona de segunda a sexta-feira das 07h30 às 22h00, exceto feriados, pontos facultativos e período de recesso de final de ano, conforme determinado pela reitoria da USP.
| EPI Sala/área | Óculos de Proteção | Máscara | Luvas | Avental Impermeável Manga longa | Calçado fechado |
| Recepção | X | X | X | X | Impermeável Antiderrapante |
| Limpeza | X | X | Borracha, cano longo | X | Impermeável Antiderrapante |
| Preparo,Acondicionamento Inspeção | X | X | X | ||
| Desinfecção Química | X | X | Borracha, cano longo | X | Impermeável Antiderrapante |
RDC-15
- Controle dos processos de Esterilização
O controle é realizado por meio do Teste Biológico, Teste de Bowie-Dick e indicador químico classe 5. O teste biológico é realizado semanalmente no primeiro ciclo de esterilização do dia: são 3 pacotes desafio contendo o indicador químico grau 5 e a ampola de teste biológico (contendo bacillus stearothermophilus), dispostos na parte da frente, meio e atrás na esteira da autoclave juntamente com o pacote do teste de Bowie- Dick avaliando as condições da bomba a vácuo do equipamento que é disposto na parte anterior na esteira próximo ao fechamento da porta.
A CME central possui três autoclaves pré-vácuo e estão identificadas com os números 2, 3 e 5 para facilitar o controle dos dados do teste biológico e rastreabilidade do material.
São elas :
- Autoclave No 2: Marca : SERCON
Modelo: HA
Capacidade: 250L
Data de Fabricação: 24/09/1998
- Autoclave No 3: Marca: SERCON
Modelo:HA
Capacidade:250L
Data de Fabricação:06/11/1998
- Autoclave No 5: Marca: SERCON
Modelo: HS
Capacidade: 432L
Data de fabricação:02/05/2007
Em cada ciclo são monitorados pela empresa que executa a manutenção dos equipamentos a Temperatura (130 oC – 134 oC) e Pressão de Câmara externa: Manômetro (1,8 Kgf/cm2) e Pressão de câmara interna : Manovacuômetro (2,0 Kgf/cm2) .
Ao dar entrada na CME (guichê 2) o pacote ou a caixa cirúrgica recebe uma identificação correspondente ao número da autoclave que se realizará o processo de esterilização destes materiais.
Na retirada destes materiais estéreis da CME (guichê 1) , o discente registra no prontuário eletrônico do paciente , através do sistema Romeu, o número da autoclave em que o material foi processado (rastreabilidade).
Diariamente é realizado o teste Bowie & Dick em todas as autoclaves. O teste é realizado no primeiro ciclo de cada dia ,em ciclo específico para o teste.
Utilizamos também indicadores químicos Classe-5 em cada carga das autoclaves.
PROCESSAMENTO DO INSTRUMENTAL PARA ESTERILIZAÇÃO
O processamento do instrumental é uma etapa essencial para garantir a segurança dos pacientes, profissionais de saúde e equipe de apoio. Ele visa a remoção de resíduos biológicos e químicos, assegurando que os instrumentais estejam adequadamente limpos, desinfetados e prontos para o processo de esterilização.
O processamento (lavagem e embalagem) deve ser feito imediatamente após o atendimento. Não é permitido deixar o material sujo para o dia seguinte e nem ser armazenado no armário do discente, tampouco encaminhá-lo à CME sem processamento prévio.
O material utilizado por discentes de pós-graduação deve ser esterilizado diretamente na CME, com no mínimo 24 horas de antecedência da utilização. Caso a esterilização ocorra fora da FOUSP, o discente deverá registrar no prontuário do paciente (Sistema Romeu) por ocasião de seu atendimento os seguintes dados: Nome da clínica, endereço, data da esterilização e hora, número da autoclave e modelo.
- Descarte inicial e preparação
Após o atendimento odontológico, ainda com as luvas de procedimento calçadas, os materiais perfurocortantes (bisturi, agulhas de anestesia e agulhas de sutura) devem ser descartados em recipiente rígido de cor AMARELA, impermeável e com símbolo de infectante, localizado nos boxes e na sala de preparo de material, bem como os tubetes de anestésicos utilizados durante o atendimento deverão ser descartados em recipientes rígidos, impermeáveis e com símbolo de risco tóxico e de cor LARANJA . Isso diminui o risco de um acidente perfurocortante durante a manipulação do instrumental. As luvas utilizadas devem ser descartadas e as mãos, higienizadas. Com luvas de borracha grossas, devem-se remover as barreiras de proteção e reunir o instrumental utilizado.
- Pré-limpeza (imersão)
Ainda no boxe de atendimento o material deve ser colocado em cuba de imersão com solução de detergente enzimático diluído (5 mL por litro de água ou conforme orientação do fabricante), permanecendo imerso por, no mínimo, 5 minutos. Enxaguar, transferir para caixa de transporte e lavar preferencialmente na lavadora ultrassônica.
- Lavagem ultrassônica
O instrumental deve ser transferido para a lavadora ultrassônica com a adição de 25 mL de detergente enzimático por ciclo. Ao final do ciclo, após a limpeza ultrassônica, é crucial enxaguar o material com água limpa, para remover resíduos de detergente ou outras substâncias utilizadas na lavagem. Essa etapa garante a remoção de possíveis contaminantes e evita manchas ou oxidação nos instrumentos. Após enxaguar, os instrumentos devem ser secos com papel toalha e/ou jato de ar e organizados sobre bandejas.
- Lavagem manual
A lavagem deve ocorrer preferencialmente nas lavadoras ultrassônicas para diminuir o risco de acidente durante a manipulação do instrumental, mas na ausência da mesma, após a imersão do material por 5 minutos, utilizando luvas de borracha, a solução deve ser descartada e os instrumentos escovados com escova de cabo longo. Não é recomendado o uso de esponjas abrasivas, macias ou palha de aço porque além de desprender resíduos aumentam o risco do operador de perfurar-se. Após a escovação, o enxágue deve ser feito individualmente em água corrente, inspecionando cada item (caso seja verificada sujidade, a lavagem do item deve ser repetida), e os instrumentos dispostos sobre superfície limpa, devem ser secos preferencialmente por jato de ar e /ou com papel toalha e organizados sobre bandejas.
As luvas de borracha e a escova de limpeza devem ser lavadas com sabão neutro, secas com papel toalha e armazenadas em recipiente plástico com tampa. Cada profissional e cada discente deve possuir sua própria escova e par de luvas de borracha.
- Embalagem e selagem
Com as luvas de procedimento, o profissional e/ou discente deve separar o material necessário para a montagem das caixas. O instrumental deve ser embalado em conjunto, dentro de embalagem de papel grau cirúrgico, com folga de dois dedos para selagem. Essa embalagem é colocada em caixa metálica perfurada, respeitando o limite de 75% da capacidade da caixa. Pinças, tesouras e fórceps devem ser acondicionados abertos.
O papel grau cirúrgico não pode ser reutilizado, o papel possui poros que são vedados pelo processo de esterilização, assim no reuso o vapor não entra em contato com o instrumental e o mesmo não fica esterilizado.
A caixa deve ser embalada externamente com papel grau cirúrgico, com as escotilhas abertas (quando houver) e folga para facilitar a abertura. O pacote deve ser identificado com nome, turma e período do discente, em letra legível. Caso o material não seja utilizado, o papel grau cirúrgico externo deve ser substituído antes da devolução à CME.
- RECEBIMENTO DO MATERIAL PARA SER ESTERILIZADO
O processo de esterilização inicia-se com o recebimento dos materiais previamente limpos e embalados pelos discentes. Esses pacotes são entregues no Guichê 2 da CME e, no momento da recepção do material, o profissional deve registrar o que está sendo entregue. Para esse registro, deve-se abrir o sistema Romeu e registrar o número USP do discente.
Após esta etapa, os materiais devem ser cuidadosamente inspecionados para verificar a condição da embalagem, incluindo sua integridade e a identificação correta, com etiqueta na qual constem o número do discente, turma e período (Integral ou Noturno).
A seguir, as informações são inseridas no sistema Romeu e deve ser confirmada a precisão das informações com o discente. Após o registro, o discente finaliza a entrega digitando sua senha pessoal no sistema e o profissional carimba a embalagem com a data e o número da autoclave que será acondicionado o pacote.
- PROCEDIMENTOS DE ESTERILIZAÇÃO
Na Sala de Esterilização o processo de esterilização tem início com o preparo da autoclave, que deve ser realizada de acordo com as diretrizes de posicionamento dos pacotes para garantir a máxima eficácia do processo. Os pacotes devem ser organizados respeitando a orientação de contato: superfície de papel com superfície de papel e plástico com plástico. Além disso, deve ser mantida uma distância mínima de 1 cm entre os pacotes, permitindo a adequada penetração do vapor e evitando pontos de barreira térmica. Materiais côncavos e bandejas devem ser dispostos de maneira que não obstrua a circulação do vapor, garantindo a uniformidade da esterilização. Já as caixas devem ser dispostas uma ao lado da outra e devem também estar embaladas com papel grau cirúrgico sendo o lado de plástico para baixo e o lado de papel voltado para cima. Isso garantirá uma esterilização mais eficiente do material, evitando a umidade excessiva em cada caixa. Deve-se respeitar também a distância de 1cm entre uma caixa e outra a fim de facilitar a circulação do vapor entre elas.
A carga da autoclave deve ser realizada com atenção ao seu limite de capacidade, não ultrapassando 75% do volume total do equipamento. Esse controle é fundamental para assegurar a circulação eficiente do vapor e a completa exposição dos materiais às condições ideais de esterilização. Após o carregamento adequado, a porta da autoclave deve ser corretamente fechada, e o ciclo de esterilização iniciado conforme os protocolos estabelecidos.
Durante o processo, é essencial monitorar os tempos e temperaturas recomendados pelo fabricante, garantindo que todas as variáveis do ciclo sejam cumpridas rigorosamente. Qualquer desvio nos parâmetros operacionais deve ser imediatamente identificado e corrigido, assegurando a eficácia do processo e a segurança microbiológica dos materiais esterilizados.
4.1 Monitoramento químico.
As mais recentes recomendações sugerem um indicador químico classe 4 ou 5 dentro de cada pacote (ANSI/AAMI 2013 e CDC 2003), um indicador químico classe 5 em cada carga (ANSI/AAMI 2013 e CDC 2003, BRASIL 2012) ou classe 6 (BRASIL 2012) e um Classe 5 em cada pacote cirúrgico (ANSI/AAMI 2013).
Abaixo descrevemos os indicadores químicos utilizados nesta instituição:
Indicador Tipo I, Classe 1 ou de Processo
- Esses indicadores são sensíveis à mudança de temperatura e mudam de cor quando a temperatura de esterilização for alcançada. O objetivo é diferenciar pacotes que passaram pelo ciclo de esterilização daqueles que não foram. Não são entretanto capazes de informar a qualidade do ciclo. De acordo com os CDC, e da RDC e5 devem estar presentes em todos os pacotes a serem esterilizados
Indicador Tipo 2, Classe 2 ou Bowie Dick
Utilizados no primeiro ciclo de cada dia em autoclaves com bombas de vácuo em ciclo específico para o teste. Não podem ser utilizados em autoclaves gravitacionais.
Indicador Tipo 5, Classe 5 ou Integradores
- Combinam e integram as informações de parâmetros críticos do ciclo. Por exemplo: tempo, temperatura e presença de vapor de acordo com os parâmetros estabelecidos do tempo de morte dos esporos do indicador biológico utilizado para vapor. São utilizados para monitorar cargas. Também indicados como indicadores internos.
4.2 Monitoramento biológico.
O monitoramento biológicoconfere a maior garantia para o processo porque utiliza um microrganismo resistente como desafio. Esses indicadores são construídos a partir de uma população conhecida (106) e padronizada de endósporos bacterianos, resistentes à temperatura. Se o ciclo é capaz de eliminar uma grande população desses microrganismos, deduz-se que foi capaz de eliminar os outros microrganismos no artigo remanescentes do processo de limpeza.
- No caso do vapor o endósporo de escolha é Geobacillus stearotermophilus, como demonstrado no esquema abaixo:
- Utilizar uma ampola dentro de um pacote que representar o maior desafio em no serviço no primeiro ciclo do dia em cada autoclave, e pelo menos uma ampola controle para cada ciclo de incubação. Incluir um indicador classe 5 no pacote e anotar todos os resultados (ANSI/AAMI 2013).
Interpretação dos Resultados
- O resultado esperado é que a cor do meio de cultura da ampola teste permaneça roxo e que o meio de cultura da ampola controle mude para amarelo. Isto indica que na ampola teste os microrganismos foram incapazes de se reproduzir, enquanto que na ampola controle foram capazes de se reproduzir. Deduz-se que a esterilização foi efetiva.
- Se o meio de cultura presente nas ampolas teste e controle ficarem amarelos após a incubação, indica que houve crescimento bacteriano em ambas. Isto pode ser devido à necessidade de manutenção da autoclave ou excesso de material, que impede a circulação do vapor comprometendo a esterilização. Conclui-se que a esterilização não foi efetiva. Nestes casos, a autoclave em teste fica interditada, é acionado o serviço de manutenção da máquina e após a liberação da mesma , é realizado um novo teste biológico antes de iniciar a sua utilização.
- Caso o meio de cultura das ampolas teste e controle permaneçam roxos depois da incubação, indica que não houve crescimento bacteriano. Caso isso ocorra, verificar se as ampolas teste e controle foram devidamente ativadas. Se ainda assim as duas estiverem roxas, é possível que a incubadora necessite manutenção. Outra possibilidade é ter havido alguma falha no transporte, armazenamento ou produção dos indicadores biológicos. Isso evidencia a importância da ampola controle, sem a qual não é possível validar o teste. Neste caso, não se pode afirmar se a esterilização ocorreu ou não.
Obs.: Figuras, Adaptado de Donatelli 2019 b.
Importância da ampola controle no monitoramento biológico
- É fundamental utilizar a cada ciclo de incubação pelo menos uma ampola do indicador biológico para validar o teste.
A indicação de frequência do monitoramento com indicadores biológicos é pelo menos semanal em consultórios odontológicos ANVISA (Brasil 2006).
O conjunto das medidas de monitoramento conferem o que chamamos qualidade assegurada da esterilização.
- PROCEDIMENTOS PÓS-FINALIZAÇÃO DO CICLO DE ESTERILIZAÇÃO
Ao término do ciclo de esterilização, a porta da autoclave deve ser mantida entreaberta para permitir o resfriamento natural dos pacotes, evitando a formação de condensação no interior das embalagens. Esse processo é essencial para garantir que os materiais permaneçam secos e em condições adequadas de armazenamento.
A manipulação dos materiais ainda quentes deve ser realizada com luvas térmicas de Kevlar, prevenindo queimaduras. Esse cuidado contribui para a manutenção da integridade das embalagens e preserva a esterilidade dos materiais.
A confirmação da eficácia da esterilização deve ser feita por meio da inspeção dos indicadores químicos externos presentes nas embalagens e os de Classe -5 presentes em cada carga da autoclave. Esses indicadores devem apresentar alteração de cor, conforme especificado pelo fabricante, assegurando que os materiais foram submetidos às condições adequadas do processo. Caso algum pacote não apresente a mudança esperada, ele deve ser separado e submetido a uma nova esterilização.
Após a verificação, os materiais devidamente esterilizados devem ser encaminhados para a sala de apoio técnico, onde permanecerão organizados de acordo com as normas de biossegurança e controle de estoque,o novo é colocado atrás garantindo que estejam disponíveis para uso conforme a demanda dos setores atendidos. Para prevenir que o prazo máximo de utilização expire, guarde com a método FIFO do inglês “first in first out”(MILLER 2019), ou seja o primeiro que entra no armazenamento é o primeiro que sai, portanto será usado antes.
- ARMAZENAMENTO E DISTRIBUIÇÃO
Os pacotes estéreis devem ser armazenados em prateleiras organizadas por período (Integral ou Noturno), turma e ordem alfabética do nome do discente, garantindo um fluxo eficiente de distribuição. Para assegurar a integridade dos materiais, as prateleiras devem ser posicionadas de forma a manter uma distância mínima de 30 cm do chão e das paredes, prevenindo contato com umidade e outros agentes contaminantes.
Antes da entrega ao discente, o profissional responsável pela entrega deve realizar uma inspeção visual da integridade do pacote, verificando possíveis danos na embalagem. Em seguida, a solicitação de retirada deve ser registrada no sistema Romeu, garantindo a rastreabilidade do processo.
O conteúdo do pacote é então conferido junto ao discente, que valida a retirada por meio do registro de sua senha pessoal no sistema.
Para garantir a manutenção da esterilidade dos materiais, antes de qualquer manipulação dos pacotes estéreis, o profissional da CME deve realizar a higienização das mãos de acordo com os protocolos de biossegurança. Esse procedimento é essencial para preservar a segurança microbiológica dos materiais e garantir a qualidade do atendimento clínico.
A validade dos pacotes é de 6 meses, desde que a integridade do invólucro, condições do armazenamento (temperatura e umidade) sejam mantidos.
- LIMPEZA E MANUTENÇÃO DO EQUIPAMENTO AUTOCLAVE
A limpeza e a manutenção das autoclaves são procedimentos essenciais para garantir a eficácia do processo de esterilização e a longevidade dos equipamentos.
Semanalmente, deve-se realizar a higienização da câmara interna e da parte externa das autoclaves. A câmara interna deve ser limpa utilizando detergente neutro, seguido da remoção dos resíduos com um pano úmido, assegurando a eliminação de partículas que possam comprometer o desempenho do equipamento. A parte externa deve ser higienizada com um pano embebido em água e detergente neutro.
- USO E LOGÍSTICA DOS UNIFORMES PRIVATIVOS
O uso do uniforme é obrigatório dentro dos ambientes clínicos, sendo vedada sua utilização fora das dependências da Clínica Odontológica é fundamental para o cumprimento das normas de biossegurança, promovendo um ambiente de trabalho seguro, organizado e padronizado. A correta utilização, devolução e manutenção dos uniformes privativos é responsabilidade de cada usuário.
A empresa Lavebras- Gestão de texteis S/A, localizada na Estrada Ana Procópio de Moraes, 1047 – Santana do Parnaíba, SP é responsável pela retirada e entrega dos uniformes privativos no Hospital Universitário ( HU) . O serviço de transporte desta instituição realiza a logística. Diariamente a roupa é separada e vistoriada pelo serviço de apoio da CME e disponibilizada aos usuários.
- Padronização por categoria profissional
A cor do uniforme privativo é definida conforme a categoria do usuário:
- Vermelho: funcionários e equipe de apoio técnico-administrativa;
- Azul: docentes e profissionais vinculados à supervisão clínica;
- Cinza: discentes de graduação, pós-graduação e estagiários.
- Organização e distribuição dos uniformes
Os uniformes limpos são disponibilizados nas estantes localizadas no Corredor de Apoio Operacional, próximas aos vestiários masculino e feminino. As peças são organizadas por cor (de acordo com a categoria profissional) e por tamanho (P, M, G, GG), facilitando o acesso pelos usuários.
Cabe à equipe de apoio da CME:
- Receber os uniformes limpos da empresa terceirizada;
- Realizar a conferência das peças e a triagem por cor e tamanho;
- Organizar os uniformes nas estantes de forma ordenada e acessível;
- Recolher diariamente os uniformes usados, depositados pelos usuários nos hampers específicos localizados no interior dos vestiários ( docentes, funcionários e discentes)
- O recolhimento dos uniformes utilizados após o atendimento clínico, cumpre a determinação das normas de biossegurança.
- Separar, embalar e etiquetar os lotes para envio à lavanderia.
- Responsabilidades dos usuáriosRetirar o uniforme adequado diretamente nas estantes, utilizando sempre peças limpas e compatíveis com seu perfil profissional;Descartar o uniforme usado, ao final do expediente, nos hampers apropriados;Evitar danos, extravios ou trocas de uniformes entre categorias;Comunicar à CME qualquer irregularidade na distribuição, qualidade ou disponibilidade dos uniformes.
- CONTINGÊNCIA:
- Na falta de uniformes privativos disponíveis, serão oferecidos aventais descartáveis.
- Intercorrência com autoclaves: interdição da máquina – poderá ocorrer o funcionamento das demais, não prejudicando o fluxo de produção e entrega do material. Falta de energia: a produção é interrompida bem como os atendimentos até o retorno da mesma. Os materiais que estavam em processo de esterilização, serão reesterilizados.
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- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). RDC nº 15, de 15 de março de 2012. Dispõe sobre requisitos de boas práticas para o processamento de produtos para saúde. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br. Acesso em: março de 2025.
- AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002. Dispõe sobre o regulamento técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde.
- ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR ISO 17665-1:2010. Esterilização de produtos para saúde – Calor úmido – Parte 1: Requisitos para o desenvolvimento, validação e controle de rotina de um processo de esterilização para dispositivos médicos.
- SOBECC – Sociedade Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico, Recuperação Anestésica e Central de Material e Esterilização. Práticas Recomendadas SOBECC – 8ª edição. São Paulo: Manole, 2022.
- UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP). Manual de Biossegurança da USP. Comissão Técnica de Biossegurança Institucional (CTBio-USP), 2021. Disponível em: https://ctbiosp.usp.br
- FOUSP – Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo. Manual de Padronização dos Manuais FOUSP. 1ª ed., 2024. Documento interno.
ANEXOS
- POP ESTERILIZAÇÃO E ARMAZENAMENTO DE INSTRUMENTAL ODONTOLÓGICO (link)
- POP DESINFECÇÃO DE SUPERFÍCIES E INSTALAÇÃO DA BARREIRAS FÍSICAS (link)
- POP PARAMENTAÇÃO E DESPARAMENTAÇÃO DE PROFISSIONAIS DE SAÚDE EM CLÍNICAS ODONTOLÓGICAS (link)
- POP PROCESSAMENTO DO INSTRUMENTAL (link)
- POP ACIDENTE COM PERFUROCORTANTES (link)